Velhos amigos

Os novos amigos podem parecer melhores que os velhos amigos.
Mas não são.

Os novos amigos podem parecer mais leves do que os velhos amigos.
Mas não são.

Os novos amigos podem parecer mais legais, mais divertidos, menos críticos, mais inclusivos, menos complicados e mais bem sucedidos.
Mas não são.

Os novos amigos nem deveriam ser chamados de amigos, ainda.

Amigos são aqueles que permanecem. Os que continuam pra além de e apesar de.

Amigo é o que permanece a despeito de nossas mazelas.
O que discorda, mas não sai do lado.
O que me prefere, inclusive, mais do que prefere a própria amizade.

Perdoem-me os pouquíssimos novos amigos, mas só amo os velhos.
Só os velhos.
Os que ficaram nessa jornada já não tão curta.
Tempestade e bonança.
Tempestade e bonança de novo.
Conheço-os bem. A seu favor e contra.
Conhecem-me melhor.
Não saio de perto deles, nem eles de perto de mim. Pra além do que sei e do que sabem, apesar do que vejo e do que veem, estão aqui para mim e por mim, assim como eu por eles.
Com quem divido as mesmas histórias de modos sempre novos, as novas histórias com os velhos exageros e muitos silêncios nada incômodos.

Meus velhos amigos sabem quem são.

E são os melhores que alguém poderia ter.

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