O futebol tem jeito; a babaquice, nem sempre

Sempre fui louco por futebol.

Nunca soube jogar.

Me sobrou ser um torcedor fanático.

Escolhi o melhor: SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE.

Por conta disso e da trivialidade da idiotice, sempre me sobra uma brincadeira usando o Bambi, o bicha, o veado e etc.

Não só nunca liguei como sempre achei babaca. Eu sei lá. O mundo já andou tanto pra gente ainda se comportar assim, ainda mais porque são tantas as possibilidades de brincadeiras e trocadilhos no mundo do futebol, que a babaquice em teimar ser homofóbico me soa duplamente descabida.

Hoje, me mandaram essa foto. O ângulo sugere que o manequim com a roupa do São Paulo é gay. Claro que a legenda era outra babaquice.

Olhei a foto e gostei. Se o gay curte futebol e gosta de torcer por um time, pois que seja pelo meu São Paulo, o maior de todos. Que seja bem vindo e sinta-se total e completamente à vontade entre a gente. Que traga seu amor para torcer junto, mesmo que torça pra outro time.

Que a beleza e a magia do futebol sejam livres, acolhedoras, inclusivas e leves pra galera toda. TODA mesmo.

O futebol sempre tem jeito. Já a babaquice, nem sempre.

Sobre o Brasil “que dá certo”

Não, Maria Ribeiro, o Brasil que dá certo não é este que seguiu o trio elétrico do Baixo Augusta, no último sábado.

Esse é um Brasil legalzinho. Legalzinho pra você e até pra mim. Mas não é o Brasil que daria certo.

Eu não sou ranzinza.

Juro.

Mas quando pego ranço de alguma coisa, fico como quem engoliu o comprimido inteiro, mas só deglutiu metade.

O Acadêmicos do Baixo Augusta é um projeto que expressa demais a nova galera cult classe média engajada de esquerda.

São bonitos, são legais, são descolados, pautam as discussões da turma e estão no centro de São Paulo, estão do “lado certo da força”.

São mais do mesmo.

Repercutem um recorte da sociedade que mais parece uma galinha carijó. Aquela que bota um ovinho de nada e cacareja como se tivesse parido um avestruz.

Eu juro que não sou ranzinza.

Só foi de dar náusea ver aquela galera de colete laranja, fazendo perímetro com uma corda para restringir o povão de se aproximar do trio.

Povão não, aliás. Quem segue o trio do Baixo Augusta é parte dessa juventude paulistana descolada, que vive pensando um mundo melhor sem dizer bom dia pro porteiro.

Como é peculiar do Brasil, o cortejo do trio elétrico respeita de forma bem evidente a nossa cultura de castas.

Pra chegar bem perto do trio, só sendo “Global”, como deixam claras as fotos do dia do desfile, nas redes.

Não, não há fotos dos Brunos e Danielas que íam atrás do bando. Pra sair em foto de divulgação, só já tendo participado de, ao menos, um programinha da Globo.

O interessante é que tem bastante foto dos Joãos e Marias “ninguém”, afinal, eles estavam ali, bem perto das celebridades brancas, servindo-os e protegendo-os como de costume. Eles mesmos nem se dão conta de que só são bem vindos ali se for nesses termos.

Não, Maria. O Brasil não deu certo. E não dará enquanto não nos olharmos no espelho e assumirmos que reproduzimos no cotidiano aquilo que mais denunciamos de vez em quando.

O Brasil de verdade acordou de madrugada para pegar ônibus e metrô e ir até a Consolação servir vocês.

(em resposta ao artigo “Predicado”, de Maria Ribeiro, publicado no O Globo do dia 07/02)

Linger

Tava descendo o anel viário, quando a moto parou. Ela sempre para nos temporais.

Ouvindo The Cranberries, desci e sentei na beira da rua. Era o final de uma curva. Deu pra parar a moto num canto e sentar embaixo de uma árvore.  Não tem iluminação ali, nem calçada. Só um escurão e algumas árvores. Sentei na raiz de uma.

Chovia tanto que a terra nem conseguia sugar a água, que escorria pela encosta até chegar milimetricamente na minha bunda, já muito molhada. Eu ouvia The Cranberries quando tinha 16, 17 anos. Aí parei um tempão e voltei num dia desses.

Passaram-se muitos anos. Muitos.

Muitos carros, muita gente, muitas casas pra ir embora, muita agenda pra atender, muito trabalho pra realizar e finalizar, muito desafio, muito desafeto, muita gente passando ali por aquela curva do “S” que junta o fim do anel viário com o começo da fundo do vale. Muita gente e muita coisa que passou por minha vida entre as fases de ouvir Cranberries.

O mesmo coração do menino de 16 estava batendo ali, naquele homem de 40.

O mesmo.
Tanta coisa boa.
Tanta coisa ruim.
Tanta gente boa.
Tanta gente…

O mesmo coração batia ali, naquele corpo cansado e molhado.

Levantei e levei a moto pela mão até o posto Sete Estrelas. Uns 300 metros de muita memória, lágrima e risada. Cada enxurrada que um carro me jogava, uma história pra rir.

Lembrei que estamos em janeiro e meu aniversário de 40 anos é em março. Que, anos atrás, programei secretamente minha festa de 40. Seria o “Boteco do Fabricio”, com música caipira, comida pesada, cerveja e coca bem geladas, decoração bonitinha e muitos, muitos amigos.

Será impossível.

Além de custar muito mais caro do que eu poderia pagar, já não tenho os muitos amigos. O Benjamin apareceu pra me ajudar. Não sei de onde saiu, mas era, justamente, um mecânico de moto que caiu no crack e apareceu ali, feito um anjo com aparência de demônio.

– É só jogar ar do calibrador aí na região da bonina. Deixa comigo. – me disse num interlúdio muito breve enquanto contava sua história.

A moto funcionou. Deixei-a esquentando um pouco, enquanto ouvia aquela história que ele contava como quem come um prato de comida depois de muitos dias de fome. Parou de repente, engasgado pelo choro, quando citou a filha.

Percebi que era o ponto onde devíamos parar. Eu abracei o Benjamin, que não entendeu nada. Soltei e agarrei de novo.

– Vem cá, cabôco. Você é um dos caras mais legais que conheci em quase 40 anos. Em março, farei 40. Me fala onde você mora, que quero te chamar pra festa.

A gente acha que a vida é o que aparece por aí. Que nada.

A vida é justamente o que não aparece. Essas minhas lágrimas molhadas dentro do capacete, uma moto quebrada e um tanto de memórias pra lamentar e celebrar. E esses estranhos que entram e saem de nossas vidas, ora deixando bem, ora deixando mal, mas sempre maiores do que nossos julgamentos.

Sempre protagonistas numa história própria. Triste e feliz.

E por mais que, aos 16, “I thought nothing could go wrong. But I was wrong. I was wrong.” Aos 40, mesmo quando de vez em quando, a gente quer que acabe, “Do you have to let it linger? Do you have to. Do you have to. Do you have to let it linger?”

Sim, a vida precisa continuar. Pelo menos até o dia em que ela mesma decidir nos deixar.

You have to let it linger!

O novo formador de opinião

Um dos papéis que apresentam grande desserviço à nova configuração social, diretamente influenciada pelas redes, é o de “formador de opinião”.

Não que não seja importante.

Vejamos bem. Uma opinião digna de ser levada em consideração, num passado recente, era subsidiada por um arcabouço teórico significativo, sustentado por muita leitura, observação, estudo sério e experiência.

Com o advento das redes sociais, uma grande porcentagem das pessoas foi automaticamente catapultada à condição de mestre, doutor e, mais ainda, pós doutor em praticamente tudo.

É o retorno da velha formação em Filosofia, que englobava considerável experiência de vida e profundidade acadêmica, só que, hoje: SEM FORMAÇÃO NENHUMA.

Mais do que dar pena da vergonha alheia que passam, é de se assustar, como essa pretensa sabedoria virtual gera gente má, mal intencionada, belicosa, intransigente, amarga, intrometida, despreparada, só que, tudo isso, com coragem, palanque e disposição ao ridículo.

Toda crítica e constatação deveriam demandar alguma proposição.

Pois então, sinto muito.

Não a tenho.

E Einstein estava certo…

Foi num estalo de tempo que minha quinta passada se conectou com hoje, sete dias depois.

Einstein nunca foi poeta, mas também tem razão. O tempo não é nada linear.

Minha quinta só fez sentido hoje, quinta, quando, saindo do shopping, bem na cancela do estacionamento estava escrito: “se quer sempre o melhor para seu filho, venha fazer a festa dele aqui”. Era a propaganda de um buffet infantil. Ruim por sinal. Buffet e propaganda.

Os buffets conseguiram quando o certificado de “o melhor para seu filho”?!

Eu tenho três. Eu erro tanto com todos e cada um deles. Mas não há ninguém nesse universo que queira saber mais do que eu o que é melhor para eles.

Ninguém…

Quinta passada, fui visitar a casa onde nasci. Tão simples, pequena e velhinha. Parei um tanto em cada cômodo, mostrando-os aos meus filhos e sobrinho. Quando cheguei no barracão, fiquei mais tempo. Esperei que saíssem e fiquei ali, parado, quieto.

Quando crescemos, não sabemos se nos lembramos de fato de algum evento, se a repetição da contação nos dá a impressão de que estivemos nele, ou se são as fotos que nos sugerem esta confusão entre o estar e o lembrar-se.

Eu fiz um aninho ali naquele barracão. Minha festa foi ali. E não, eu não lembro da festa. Mas lembro de algo anterior à ela. Eu lembro. Juro. Nunca fiz regressão. Mas lembro. Juro.

Era minha mãe, concentrada e ocupada ali no quarto único, fazendo cada uma das lembrancinhas e objetos e enfeites de decoração da festa. Minuciosamente. Sozinha. Cada objetozinho que seria usado por meia dúzia de horas de uma festa de um aninho do primeiro filho, ali naquele barracão humilde da Vila Terezinha.

Foi a festa mais incrível que uma criança poderia ter. A minha. Sim, a minha festinha de um ano, feita à mão pelo ser que mais me amava neste mundo.

Minha quinta-feira passada fez mais sentido, hoje, quinta.

Senti-me amado ali, naquela cancela de estacionamento, como em poucas vezes. O amor não respeita o tempo e o espaço.

Caro buffet e marqueteiro ruins, vocês não sabem de nada.

Einstein nunca foi poeta, mas estava certo.

Graça

Não preciso olhar onde.

Meu entorno imediato tem uns 2%, no máximo, de amigos “bem sucedidos”.

Mais 18% de amigos “empatados” em 0 x 0 com as expectativas “mínimas” que a vida cap(e)talista impõe sem que percebamos, quase.

Os demais são sobreviventes. Ferrados, endividados, derrotados, abaixo da linha do padrão que se estende sobre essa sociedade insustentável.

Desses 80% restantes, 90% se sentem culpados por serem o estereótipo da “derrota” sócio econômica, mesmo que sejam boa gente, bons pais e mães, pessoas do bem e de bem.

Somos sobreviventes amigos e amigas.

Sobreviventes.

Num período em que as diferenças se acentuam, percebam que somos a maioria. E por que não sermos felizes assim?

Somos sobreviventes, amigos e amigas.

Sejamos, pra além disso, felizes e contentes com o patrimônio que, de fato, tem valor.

Nosso patrimônio imaterial.

Sejamos felizes e contentes, amigos e amigas.
Isso ainda é de graça e por graça.

Números

Já são 11. Não dormi 4. Pra chegar às 13, saio até 12. Mas aí, gastarei 30. Se sair daqui 30, gasto 15. Chego e ainda tenho tempo pra 1 água ou 2 cafés. Já são 4 anos nesse projeto que era pra 2. Somos 11. Já fomos 25. Com a baixa de 14, ainda demoraremos 2 ou 3 para terminarmos as 7 torres.

Eu devia mesmo era ter feito aquele concurso em 2006. Tinha que estudar 7, 9 horas por 200 dias a fio. Mas garantiria 5 ou 6 mil por mês. Um dissídio de 7%, verba extra a cada 5 e aposentadoria depois de 25.

Agora já faz 9. Passei da idade máxima, 30. Passei muito. Tinha 30 em 2006. Sou de 76. Fiz 41 esses dias.

Nunca imaginei que a crise dos 40 fosse verdadeira. É. Tomo 4 comprimidos pra repor 2 hormônios e conseguir dar 1 a cada 3 ou 4 dias. Passo 12, 13 horas trabalhando, 6 vezes por semana, 50 semanas por ano, nos últimos 20 anos, ao menos.

Preciso pagar esses 200 metros do solo que piso em cima de umas 240 cabeças que moram nos 20 andares embaixo, mais as faculdades dos meus 2, 17 e 19, que não vejo há 7, 8 meses.

Eu vendo meu tempo em troca de números que não substituem o tempo que vendo. Eu compro números. Depois de todas as contas que faço e que fazem, o saldo é claro.

Zero.

O saldo é zero.

Minha consciência é negra

Dizem que sou branco. Sempre disseram. Nunca entendi muito bem esse negócio de cor. A gente é. É e ponto.

Ainda mais eu, que cresci na Vila Terezinha. Muitos de meus amigos eram negros. Mesmo na escola que estudei, onde se pagava mensalidade, um dos meus melhores amigos era o Marcelo, que descobri que era negro quando deixei de ser criança. Na verdade, foi quando deixei de ser criança que descobri que existiam os negros e os brancos.

Foi também quando percebi que os negros, em geral, sofriam mais do que os brancos.

Mais crescido, conheci o Marcos Davi, pastor negro, militante fundador do Movimento Negro Evangélico. Com ele, conheci as histórias mais tristes desse demônio conhecido pelo nome de preconceito , mas também conheci as histórias mais lindas. Foi quando me interessei pela vida do Martin Luther King e li umas 5 biografias seguidas. Quando conheci a Rosa Parks, Mandela, Desmond Tutu e meu conterrâneo Zumbi dos Palmares. Fui o único “branco” militante no Movimento Negro Evangélico por um tempo. Não era um movimento de negros ou brancos ou negros e brancos. Era um movimento de amigos.

Trabalhei em periferias, em escolas públicas, em igrejas simples, onde são mais “negros” do que “brancos”. Vi in loco os dados do IPEA se concretizando em assassinatos de amigos, filhos, pais, na desigualdade dos ganhos, na indignidade do desemprego e na falta de perspectiva para aqueles que sonhavam (quando a realidade, cedo, não lhes roubava os sonhos) com um futuro melhor.

Mas cresci no meio do barulho, do sorriso farto, da vida simples e do contentar-se com pouco, características peculiares de meus irmãos “menos favorecidos”.

Nesse dia especial, saúdo o Bidu, o Junior Salvador Lopes, o Ricardo Augusto, a Djamila, a Nilza Valeria Zacarias Nascimento, a Preta Ary, o Ariovaldo Santos, o JB Magalhães, o Paulo Lins e tantos outros amigos. Gente que amo.

Dizem que temos raça e que ela se caracteriza pela cor. Mas nunca ouvi ninguém dizer que consciência tem cor. E como minha consciência não tem cor, eu escolho o “negro” para colori-la.

Não que seja possível sentir a dor que tantos e tantas desses meus amigos e amigas já sentiram em suas vidas. Mas que a força da celebração e o empenho na luta sobrepujem toda maldade, nesse dia ao menos, como sinal de luz para dias cada vez melhores.

Celebremos, amigos, o dia da nossa consciência. A minha é negra.

Nova fábrica joseense: bem-vinda!

São José está uma está uma pista de rali Aproveitem, jovens e adultos inconsequentes. Sem radares nas vias. Dá pra atingir 160 Km/h no Anel Viário. Deve-se frear um pouquinho antes da curva do Objetivo, mas já dá pra entrar acelerando novamente assim que a tangente for completada. Na altura da entrada do Parque Industrial, atinge-se a velocidade máxima.

Não, não… Não se enganem, meninos e meninas. Os radares estão escondidos aqui e acolá. Sim. Seja bem vinda, Indústria da Multa. Já temos até sede para oferecer. Pode ser um pedaço da Fundação Cultural, que anda sucateada mesmo. Reitero a função primária dos radares e qualquer outro instrumento inibidor de um comportamento que gere risco ou dano social: a de educar o cidadão. A multa não é, nem deve nunca ser, uma possibilidade de receita, mesmo que para o uso em algo legítimo.

A multa é um importante regulador de comportamento no trânsito, mas não um fim em si mesma. Sendo assim, esconder radares atrás de placas é um absurdo. Se não pode ser visto, não cumprirá sua função primária: a de inibir a transgressão. E, como dito acima, não é essa a sua finalidade. Podem fazer alternâncias, usar radares móveis, pensar em alternativas que gerem educação e maturidade no trânsito de nossa cidade. Mas o modo que estão tentando implementar é inaceitável. Não tem propósito, nem resultado justificável. Prefeito querido, não duvido de vossas boas intenções, mas não menospreze sua própria inteligência e a de sua equipe.

Muito menos a nossa..

 

Os mortos

Nunca fui muito de ir ao cemitério.

Ía mais quando criança.

Meu pai sempre respeitou os mortos. Foi um habilidoso carregador de caixões em ofícios fúnebres. Em cortejo de amigos importantes, saía até em foto no jornal carregando o defunto.

Perdi gente muito querida nos últimos anos.

Isso me fez adquirir esse hábito.

De vez em quando vou ao cemitério. Vou sozinho. Visito minha avó, minha tia, o Roberto.

Converso um pouco. Finjo que me ouvem.

Sei que não me ouvem. Mas eu os ouço.

Minha avó pergunta do meu pai. “O Tim tá bem?”. Respondo que sim, que já está andando de novo e que sente saudade. Falo de mim, que eu nunca mais tomei café, nem comi suspiro. Falo que minha tia, que sempre morou com ela, está sobrevivendo até bem.

Minha tia pergunta de cada filho. Falo do que sei. Às vezes, minto. Não digo que, depois que ela se foi, não nos reunimos mais. Falo que minha mãe sente muito a sua falta. Que colocou uma foto dela no quarto. E que chora escondido de vez em quando.

Ouço o Roberto me falando com aquela voz rouca, me chamando de “teólogo”, com um respeito cheio de ironia, falando pausadamente, não acreditando no que lhe reporto, mas me dizendo pra continuar.

Acho mesmo que eles não me ouvem. Sei lá.

Mas eu os ouço. Disso, tenho certeza.

Eu os escuto, cada um deles. Os escuto porque vivem em mim, são parte de mim, do melhor do que sou.

Por isso vou ao cemitério. Pra lembrar que aqueles que nos amaram e a quem amamos, continuam vivos em nós e, em nós, viverão para sempre, assim como quero viver em meus amigos, em meus filhos e em seus filhos…