Maria, Aparecida

Gosto muito da teoria do estranhamento de Marx.

Ele diz que os mais pobres, como que no intuito de transporem suas limitações econômicas, investem em projetos maiores, como a igreja por exemplo, para se sentirem comunitariamente bem sucedidos, já que não se sentirão pessoalmente.

O problema é que quando vão frequentar a catedral, fruto de seu investimento, estranham tamanha suntuosidade, expressão já não mais de seu projeto coletivo, mas da grande diferença entre sua realidade e a daquela construção.

Não gosto das catedrais e do que elas reproduzem, mas aprendi a gostar de Aparecida, a expressão brasileira de Maria, a mãe de meu Jesus.

Uma santa que é “a nossa cara”, a cara da mãe brasileira, “preta” e pobre, que vive à margem, lutando pela vida e pela sobrevivência dos seus filhos.

Por que milhões de casas em nosso país têm uma imagem de Aparecida pendurada n’algum cômodo? Porque, diferente da catedral, ela é a imagem da empatia. É parte da família brasileira. É a figura daquela que, negra e mulher, tendo vencido a adversidade da vida, pode inspirar-nos a vencer também as “catedrais” das dificuldades que se impõem sobre o povo sofrido de nosso país.

Quantas Marias e Aparecidas e Maria Aparecidas conhecemos, mulheres que carregam no nome um legado de luta, revestido da beleza e da singeleza que adornam e força feminina.

Nesse dia 12, Maria, Aparecida, a mãe brasileira de Jesus, mulher, preta e pobre, que luta pela vida e pela sobrevivência de seus filhos, tem meu respeito.

Diferente do que produzem as catedrais e seu espírito, você é a imagem da mulher brasileira.

 

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