MEU PARTIDO


Na sociedade dos bens de consumo, o que transcende essa lógica acaba não tendo o valor devido.

O fato é que a gente vende o que tem valor em troca do que, pretensamente, atribui valor. 

Trabalhamos mais do que devemos. 

Assumimos mais coisas do que conseguimos. 

Aceitamos a prisão das expectativas e olhares alheios em demasia.

Aí vendemos o tempo pra comprarmos carro, oferecemos emoções em troca de coisas, comercializamos alma pra adquirirmos eletrônicos. 

A atitude mais radicalmente rebelde, hoje em dia, é a que procura inverter esses mourões que fincaram na gente antes mesmo nascermos. 

Nosso valor é intrínseco. A dignidade nos habita. Somos universos únicos, cheios de complexidades lindas e profundas e de belezas múltiplas muito fáceis de ver por olhos generosos e humanos. 

Tô escrevendo isso tudo pra te e me lembrar de uma coisa simples: o que tem valor, não tem preço. 

E desse conjunto de coisas, a alegria é das principais.


Estão querendo nos roubar a alegria. 

A tristeza se tornou projeto, porque, afinal, gente triste não pensa, não reage, não questiona, não enxerga pra além do que uma cabeça baixa consegue. 

Aqui não, meus velhos.

A alegria é meu partido. 

Posso praguejar um monte, questionar outro monte, fechar o semblante e até falar mais alto, mas a alegria me habita. Ela não é uma circunstância. Ela é um caminho. A alegria é um caminho. Uma forma de andar, ver e viver. 

Parafraseando a Dona Conceição Evaristo, “eles combinaram de nos ‘entristecer’, mas nós combinamos de ‘permanecermos alegres’.”

É isso!

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